Morar na Irlanda: Tudo o que você precisa saber

As nossas colunistas convidadas do perfil @olamundao prepararam um texto com tudo o que você precisa saber sobre a Irlanda, principalmente se você pensa em mudar para lá.

Quem somos?

Ana Germoglio, natural de João Pessoa, Paraíba, e mora na Irlanda desde 2014. Formada em Sistemas da Informação, trabalha na área de Tecnologia da Informação.

Aline Lazarotto, natural de Florianópolis, Santa Catarina, e mora na Irlanda desde 2013. Como primeira formação o jornalismo, atualmente estuda Desenvolvimento de Software e também trabalha na área de TI.

Vamos falar da nossa experiência na Irlanda, desde o processo de mudança, visto e escola, moradia, trabalho, até os dias atuais.

Por que escolhemos a Irlanda?

Primeiramente, o sonho de morar fora do Brasil e ter uma experiência única que é viver um intercambio.
Segundo, a Irlanda é um país de língua inglesa que dá visto de trabalho (20h ou 40h semanais) a estudantes que optam por um curso de inglês (General English), o que ajudou na escolha.

Cliffs of Moher, falésias mais visitadas da Irlanda

Como foi o processo de mudança?

Mesmo vindo em épocas diferentes e nos conhecendo depois de alguns anos em Dublin, nosso processo de mudança foi o mesmo.
Como todo processo, tudo teve que ser bem planejado. Nós optamos em não contratar uma agência de intercambio e fazer “por conta”. Essa é a forma mais barata, mas um pouco mais trabalhosa.
Preparamos um checklist para vocês sobre o processo de planejamento e mudança para a Irlanda:

O dia da viagem:

Escolher o dia de partir é a decisão mais difícil. Veja o clima do lugar e pesquise o valor de passagem. A melhor época de vir para a Irlanda, na nossa opinião, é final do verão / início do outono, onde as temperaturas estão mais amenas e você vai se acostumando aos poucos com a chegada do inverno, e as passagens ficam mais baratas depois do verão.

Outono em Dublin

Matrícula na escola:

A escola onde você vai estudar é uma decisão muito pessoal. Recomendamos verificar se a escola tem certificações mínimas para o funcionamento. O fechamento de escolas é muito comum por aqui.
Há diversos grupos de Brasileiros na Irlanda nas mídias sociais. Participe desses grupos e faça suas perguntas sobre a escola que com certeza vai ajudar muito na sua escolha.

O que levar:

Traga o mínimo possível.
Meninas, não inventem de trazer aquela rasteirinha que você ama usar no verão, ou aquele salto 17 que você usa para ir às baladas.
Meninos, aquela regata preferida deve ficar no Brasil. Acreditem, vocês vão usar menos da metade do que pensam em trazer.
Desapeguem que, com certeza, aqui vocês terão muita oportunidade de comprar coisas realmente mais úteis e com um preço bom (Penneys é vida!).

Centro de Cork, nevasca de Marco, 2017

Passagens:

Muitas empresas (como a KLM) oferecem descontos em passagens para estudante, o que inclui a primeira remarcação de passagem gratuita. Os valores dependem muito da época. Vale dar uma pesquisada nos sites de busca.

Visto:

Brasileiro não precisa pedir visto antes de chegar na Irlanda. Como estudante, na chegada ao país, você precisa apresentar passaporte válido (no mínimo 6 meses antes do vencimento) comprovação de 3 mil euros (pode trazer em dinheiro ou em cartão viagem – VTM), a carta de matrícula da escola e a apólice do seguro saúde.
Os oficiais então te dão um visto de até 3 meses como turista e você tem esse período para ir a sede da Imigração, apresentar novamente todos os documentos – juntamente com 300 euros, valor pago por meio de cartão de débito/crédito no ato da emissão do IRP (Irish Residence Permit – e solicitar o visto de 8 meses – Stamp 2. Para ser atendido em Dublin, você precisa agendar seu horário no site da Imigração:  https://burghquayregistrationoffice.inis.gov.ie/
Nas outras das cidades não precisa agendar, sendo o atendimento por ordem de chegada.
O processo leva em torno de um mês, contando com o tempo de abertura de conta e a apresentação dos documentos na Garda.

Catedral de São Finbarr (em irlandês: Ardeaglais Naomh Fionnbarra).

O idioma:

Moramos na Irlanda há anos e ainda penamos em algumas situações! O sotaque irlandês varia MUITO de lugar para lugar, mesmo dentro de uma mesma cidade. Dublin, por exemplo, tem dois sotaques: o do norte (mais “periferia”) e sul (mais “nobre”).
O sotaque de Cork, onde moramos, é um pesadelo para entender. A pior região da Irlanda no quesito sotaque é Kerry e West Cork.
O irlandês não pronuncia bem o th. O que para gente é ótimo, porque esse negócio de botar a língua entre os dentes não faz assim tanta falta.

Emprego:

A maioria dos estudantes começa a ganhar dinheiro na Irlanda no que chamados de subempregos (faxineiro, diarista, lavador de pratos…). O estudante pode trabalhar até 20h semanais no período de aula e 40h semanais no período de férias, normalmente ganhando o salário mínimo de 9,80 euro a hora.
Para uma vaga de emprego em áreas especificas, normalmente você só é chamado se tem Passaporte Europeu ou Stamp 4 (casamento com Europeu).
Mas tem uma exceção, os chamados Critical Skills. Tem uma lista de áreas que são consideradas de alta demanda e o governo oferece visto de trabalho (Stamp 1) e até paga relocação se necessário.

 

Alimentação:

A base das refeições é mesmo a batata, às vezes mais de uma forma na refeição. Não é raro você pedir lasanha ou pizza e vir acompanhado de uma porção de batatas fritas.
Um dos pratos típicos da ilha é o Fish and Chips que, como o nome já diz, e peixe empanado com batata frita. Porém, comer bem e saudável aqui é bem fácil. Nos supermercados você encontra variedades de saladas já lavadas e prontas para consumo com um valor bem acessível.
O valor do peito de frango é em média 10 euros/kg. As carnes vermelhas são um pouco mais caras, chegando até 21 euros/kg dependendo do corte.
Mas tem uma área dentro do supermercado chamada Reduced, onde ficam os alimentos que estão para vencer no dia e você pode comprar por até 70% de desconto. Maravilha, não?

Bairro de PortoBello, um dos mais caros de Dublin

Nossa conclusão

Tomar a decisão de mudar de país não é fácil, mesmo que seja por apenas 8 meses. Falamos isso levando em consideração tanto o financeiro quanto o emocional.
Muitas vezes conversamos entre nós e comentamos sobre agências vendendo pacotes de intercambio como sendo mil maravilhas, onde você irá conseguir trabalho em um mês e com ele conseguirá se manter e viajar pela Europa tranquilamente.
Bom, não que é impossível, mas deve-se sim falar que não é assim fácil. O custo de vida na Irlanda, e principalmente em Dublin, hoje em dia está bastante alto. Achar um lugar para morar está cada vez mais difícil: há imóveis insuficientes para a quantidade de pessoas, e os disponíveis estão cada vez mais caros.
Trabalho existe, mas não cairá no seu colo. Você vai ter que sair com o Currículo na mão entregando de porta em porta.
Nas dificuldades é quando a saudade de casa aperta e a gente começa a colocar nossas decisões na balança. Pesquise, pergunte, converse, faça orçamentos, conheça pessoas, corra atrás de qualquer informação possível e, o mais importante, esteja aberto para mudanças em todos os aspectos.
Aqui você irá não só se deparar com a cultura europeia, como também com pessoas de outras cidades do Brasil. Engraçado dizer que começamos a conhecer mais o Brasil aqui do que quando morávamos lá.
Intercâmbio é um período intenso de aprendizado, da vida e sobre você mesmo. Podemos dizer que nele nos perdemos e nos achamos em uma versão mil vezes melhorada. Se fosse para fazer tudo de novo, faríamos sem sombra de dúvidas.

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E fiquem de olho por aqui e no perfil do instagram do @inglesparaviagem que vamos postar 5 lugares imperdíveis na Irlanda para quem vem para cá pela primeira vez.

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